Dois e dois
Em sua coluna no Estadão de domingo, 29/11, Dora Kramer analisa a vulgaridade instituída, institucional e institucionalizada. Não falava das letras do funk carioca (sintoma bandeiroso dos tempos, per si), mas do comportamento de autoridades que propagam, numa boa parcela da população, a esculhambação ampla, geral e irrestrita. E de lá vamos ao resto do noticiário.
O presidente da câmara do DF aparece enfiando dinheiro na canela, feito uma profissional do can-can — e os mais parvos otimistas podem suspirar aliviados, pela aparente evolução do caminho da propina, transferida da cueca às meias. Um ex-militante esquerdóide escreve longuíssima história mal contada sobre impulsos tarados do então futuro presidente Lula, e um cineasta respeitado vem desacreditar o blábláblá dizendo que era brincadeira, piada típica do candidato que adorava dar uma pegadinha em estranhos – como se esse tipo de comportamento tivesse alguma graça.
Tá tudo certo, como dois e dois são 2010.
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