18/01/2010

Quá-Quará-Quá-Qua

Tento evitar, mas de vez em quando tenho umas recaídas e me pego lendo a Folha de S. Paulo. E o castigo é instantâneo. Vejam este trecho, extraído de uma matéria sobre um assalto a uma loja da Mont Blanc, intitulada Trio invade loja do shopping Higienópolis:

“A funcionária de uma loja no piso superior, que não quis se identificar, afirmou que não tinha visto nem percebido nada.”

Se a dita fonte nada viu, ouviu ou percebeu, o que está fazendo na matéria?? Aliás, se não tinha nada a revelar, por que pediu para não ser identificada???

Seria o caso de o texto acrescentar:

"Vários freqüentadores do shopping, que circulavam em outros pisos superiores, afirmaram que não tinham visto nem percebido nada."

"A vizinhança afirmou que não tinha visto nem percebido nada."

"A população de Porto Príncipe, arrasada pelo terremoto que devastou a capital do Haiti, também afirmou que não tinha visto nem percebido nada."

"Protéticos, plantonistas de lojas de conveniência da zona norte, encantadores de serpente, cartomantes, físicos nucleares,taxidermistas, colecionadores de selos, pessoas acometidas de leve depressão, floristas e astronautas afirmaram que não tinham visto nem percebido nada."

"Muitos leitores deste diário, inclusive, podem afirmar que não viram nem perceberam nada - nem a razão de ler esse jornal."'

2 comentários:

Dan disse...

Perfeito, Rosangela. À Folha de São Paulo o que lhe é de direito.

Dica: faça uma leitura comparativa entre ela e o Estadão no domingo. Chega a ser constrangedor.

Beijos, Dan.

Rosangela disse...

Pois é, Dan. O estadão também dá memoráveis pisadas de bola, mas menos - um pouco.
Bjs,